Uma fantasia se tornando realidade em Nova York

Era de manhã bem cedo. Todos estavam com a fisionomia cansada, mas eu me sentia totalmente agitado. Ainda não tínhamos passado pela alfândega e eu só queria ver a Estátua da Liberdade, o edifício de onde o “Super Homem saltava” e o Central Park. Minha ansiedade era evidente.

Assim que a porta do Aeroporto John Fitzgerald Kennedy se abriu e eu, finalmente, me vi pisando em solo americano, parei e pensei: “EUA, cuidado, Joriam está chegando. As aventuras vão começar…”

Minha primeira grande emoção foi o Yellow Cab. Ali percebi que os filmes que eu assistia aconteciam de verdade. Todos os táxis eram mesmo amarelos. Era a fantasia que se tornava realidade, era o mundo do cinema americano que não estava mais a uma distância inatingível. Sem me preocupar se minha atitude parecia normal, encostei minha mão no carro, para testar se ele existia mesmo. O taxista não entendeu nada, coitado.

Durante o percurso até o hotel, observei tudo, os ônibus com o para-brisa inteiriço, o tamanho dos carros – enormes – um motoqueiro com jaqueta de couro toda incrementado e tatuado até nas mãos, um triciclo, o ônibus escolar amarelo com aquela placa característica escrita Stop do lado. Ao chegar lá, as descobertas continuaram. A máquina onde se colocavam moedas e caía uma lata de refrigerante geladinho. Outra máquina que fazia gelo à vontade. Tudo magnífico.

Como meus pais precisavam falar com algumas pessoas ao telefone, decidi sair para dar uma volta no quarteirão. Para mini, aquele momento representou o grau máximo de liberdade: cu sozinho, passeando pela “Grande Maça”.

Sabia que o lugar onde estávamos hospedados não ficava longe da Rua 34, onde ficava o arranha-céu do “Super Homem”. Na verdade, não tinha certeza de que era o mesmo prédio que via no seriado, mas, como era bem parecido, resolvi acreditar que sim e, pronto, nada mais importava. Lá fui eu, despreocupado. Quando virei a primeira esquina, quase não pude acreditar. O edifício estava ali, na minha frente. Parecia um sonho: ele era enorme, dava impressão de que tocava o céu. Passei alguns segundos atônito, admirando sua magnitude. Depois, refeito do choque, voltei correndo para contar a novidade.

Ao retornar ao hotel, vi que meus pais estavam com dificuldades de se comunicar em inglês e decidi ajudá-los. Definitivamente, surpreendi até a mim mesmo com minha fluência no idioma. Nessa hora, eles devem ter se sentido compensados por tantos anos investidos em cursos de línguas para mim.

Após solucionar os problemas e trocar de roupa, saímos para nosso primeiro contato com a cidade. A primeira parada foi, obviamente, o Empire State Building, com sua arquitetura robusta. Para atingir o topo de seus 102 andares, foi necessário enfrentar filas e trocar de elevadores, mas a vista compensou qualquer esforço. Fosse para o lado do World Trade Center, para as pontes metálicas ou qualquer outro, o panorama era indescritivelmente belo e imponente. Eu me sentia, literalmente, nas nuvens…

O passeio continuou com novas descobertas, uma atrás da outra. Na Quinta Avenida, ficou claro o sentimento nacionalista do povo americano, com inúmeras bandeiras azuis e vermelhas, estreladas, flamejando por todos os lados. Embarcamos no metro que era exatamente como nos filmes, rodo pichado, barulhento e cheio de figuras estranhas. Para um primeiro dia, depois de uma viagem longa como a que tínhamos feito, fomos dormir satisfeitos…


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