Uma experiência fantástica fora do Brasil

Voamos um pouco mais e, finalmente, pude ver meu Corcovado, o Maracanã, o Pão de Açúcar e as praias da mais bela cidade do mundo: RIO DE JANEIRO. Pousamos, passei pelo controle de imigração e paguei um dólar por uma pequena ficha de telefone, com dois risquinhos de um lado e somente um risquinho do outro e liguei.

– Alo – uma voz masculina sonolenta atendeu.

– Pai? – disse, com o coração disparado.

-Joriam, é você? – desta vez, sua voz estava sobressaltada.

– Como é bom ouvi-lo, meu pai querido.

Nesse momento, as lágrimas escorriam sem parar.

— Onde você está? Estou ouvindo você tão bem! – ele disse, demonstrando apreensão, porém satisfação ao mesmo tempo.

— Pai, estou no Galeão, vem logo me buscar. Estou com muitas saudades – eu disse, soluçando de tanto chorar.

Fui até o lado de fora do aeroporto. Queria sentir o cheiro do Brasil, o ar da minha terra.

Ainda houve tempo para me lembrar do beijo que recebi do Giuseppe, da sensação fantástica de viajar num transatlântico e da alegria de passear pela Turquia com Maria Clara, Claudia e Paula, quando, enfim, meus pais, junto com meu irmãozinho, chegaram.

Houve muitos beijos e abraços. Eu estava emocionado.

Como era bom estar de volta. Mais uma vez estava provada minha teoria: de que adiantaria ter tantas histórias sem ter alguém para contar? Abracei meu irmão demoradamente, achei-o muito crescido. Aos 11 anos de idade, o desenvolvimento físico acontece muito rápido. Minha mãe mostrando condescendência, disse que Claudinho não precisaria ir à escola nesse dia para poder ouvir minhas histórias.

O carro já se movimentava a caminho de casa, quando, ansiosos, meus pais perguntavam sobre as novidades e eu amontoava todas as informações, sem conseguir contar uma aventura até o fim. Mas falei sobre o show do Moulin Rouge, sobre a praia de nudismo em Mikonos, sobre o voo de paragliding no sul da França e, entre lágrimas que não paravam de cair, contei sobre o orgulho que sentia por ter pisado na pontinha Prekestolen.

Depois, tentei detalhar todos os movimentos e dificuldades que havia ultrapassado para conseguir chegar do Papa, mas expliquei também que todo o esforço acabou sendo recompensado quando, de modo inusitado, vi, fui visto e acabei falando com ele.

Nesse momento, estávamos diante de casa, quando avistei Jorginho encostado na árvore de sempre, fumando seu cigarrinho e lembrei-me do dia em que estava indo para a Europa.

Meu Deus! Cheguei a invejá-lo por ter a certeza de que ele estaria encostado na mesma árvore no dia seguinte… Que absurdo! Como pude pensar tamanha bobagem e como pude pensar tão pequeno, enquanto meu amigo passou todo esse tempo exatamente no mesmo lugar. Quanta história eu tenho para contar… Como é bom viajar!!!


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