O que fazer em Stavanger, uma cidade linda com ruazinhas pequenas e super práticas para explorar a pé

Quando acordei, ainda faltava uma hora de viagem para checarmos a Stavanger. A impressão que eu tinha era que, em vez de serem sete horas da manhã, seria o escurecer das seis da tarde no Brasil, porém, isso acontecia devido ao temporal que se anunciava.

Tomei meu tradicional café da manha e fui me lavar. Apesar de termos passado a noite toda viajando, o banheiro estava impecável. Fiquei impressionado com a limpeza. Quando saí, deixei-o no mesmo estado em que o encontrei.

Retornei ao meu lugar e procurei nos meus livros os endereços de albergues em Stavanger. Ainda que pretendesse ligar e me hospedar na casa de Ole Johan, tinha de ser realista. Afinal, nossa conversa em Roma tinha sido muito rápida e isso já fazia mais de mês. Ele poderia ter mudado de ideia ou até esquecido que fizera esse convite sem importância para ele, mas que, no entanto, era muito especial para mim.

“Quando, enfim, o trem parou na estação, o mundo estava vindo abaixo”. Chovia torrencialmente. Procurei um orelhão e liguei. Estava bastante apreensivo. Na verdade, queria muito ficar na casa dele e curtir algo diferente, sentir o carinho de uma família, dormir sem usar a bolsa de maquinas fotográfica como travesseiro. Queria relaxar totalmente, além de economizar algum dinheiro. O telefone tocou três vezes. Já estava desanimando quando, na quarta vez, atenderam:

– Olá! Ole Johan? – perguntei, excitado.

– Sim…

– Lembra-se de mim? Joriam, de Roma… o brasileiro. –

eu disse, num tom quase de desespero.

— Claro! Onde você está? – respondeu, mostrando-se muito interessado.

O otimismo voltou a tomar conta de mim e até minha voz mudou.

– Na estação de trem em Stavanger – repliquei exultante.

— Sério? – perguntou surpreso.

— Sério – respondi ainda apreensivo.

— Espere uns quinze minutos, por favor. Estou saindo para buscá-lo.

Desliguei o telefone. Estava em êxtase, aliviado…

Em menos de dez minutos, Ole Johan já chegava, buzinando. Andar de carro já era uma coisa excepcional para mim na Europa. Num daqueles, então, era uma fábula. Em 1984, vidro elétrico, ar-condicionado, era carro de milionário no Brasil.

Sentindo-me um pouco inibido, sem ter nada a dizer, acabei expondo a Ole Johan a minha opinião sobre o carro. No entanto, respondeu-me que, na Noruega, aquele era um carro normal da classe média.

Apesar de um pouco envergonhado, como eu estava angustiado, perguntei de imediato, sobre a possibilidade de me hospedar na casa dele. Para minha felicidade, respondeu categoricamente:

– Você vai ficar lá em casa. Minha mãe não se importou nem meu pai. Você vai dormir no meu quarto e eu vou ficar com minha Irmãzinha. Pena você não ter avisado antes que viria. Poderíamos ter preparado algo especial para você.


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