Conheça a Caverna do Cervo, a maior passagem cavernosa do mundo

Ela é tão grande que seria capaz de abrigar uma instrução com cinco vezes o tamanho da catedral de Saint Paul, em Londres. A caverna do Cervo é chamada de Gua Payau pelos nativos das etnias Penan e Berawan, que caçavam o sambar nas profundezas da caverna há séculos. Embora as primeiras visitas de ocidentais à região tenham sido feitas no século XIX, a caverna só foi mapeada em 1961, pelo Dr. G. E. Wilford, do Instituto Geológico de Bornéu.

Mais tarde, a caverna foi explorada minuciosamente por uma expedição da Royal Geographical Society, entre 1977 e 1979. O índice de chuvas anual na região, de 5.000mm, e a profundidade do calcário de Mulu tornaram possível o surgimento dessa maravilha espeleológica. Alimentado pelas águas que penetram o teto altíssimo, o riacho, que entra na caverna por um escoadouro na superfície e serpenteia pelo chão, está gradativamente dissolvendo o leito de rocha e lentamente aumentando as dimensões já impressionantes da passagem.

Não é de surpreender que a caverna sirva de lar para várias espécies de morcegos. Quando anoitece, mais de 2 milhões desses animais saem da caverna, numa revoada aparentemente sem fim, em busca de comida no interior da floresta tropical. Falcoes-morcegueiros deixam seus ninhos nos penhascos que cercam a entrada da caverna a fim de planar e mergulhar na nuvem desses mamíferos alados, certos de que conseguirão uma refeição.

A caverna do Cervo abriga também outras espécies adaptadas ao ambiente. Aranhas, diplópodes, grilos e baratas surgem como uma massa borbulhante de vida, sustentada pelas milhares de toneladas do guano (esterco) dos morcegos. Acumulado ao longo dos séculos, o guano em decomposição cria uma névoa insuportavelmente malcheirosa de amônia, que pode ser sentida já da entrada da caverna.

Bem acima, andorinhões constroem seus ninhos cimentados com saliva sobre precárias saliências. A serpente Elaphe taeniura, o único réptil a habitar exclusivamente esse ambiente, domina a técnica de atacar os morcegos, surpreendendo-os e caçando-os no ar enquanto voam em total escuridão. A caverna do Cervo fica no Parque Nacional Gunung Mulu, numa trilha na selva a aproximadamente 3 km da sede do parque.


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