Angkor: registros e desenhos que mostraram ao mundo o verdadeiro esplendor da arquitetura do lugar

Em 1860, o explorador e naturalista francês Henri Mouhot se deparou com as ruínas de um templo da antiga civilização Khmer escondidas na floresta cambojana ao redor de Angkor. Ele não foi o primeiro europeu a visitar a região, mas foram seus enfáticos registros e desenhos que mostraram ao mundo o verdadeiro esplendor da arquitetura e das pedras esculpidas do lugar. Na época, Angkor ainda pertencia à floresta.

Ele descreveu o que observou: “Uma exuberante vegetação cobriu tudo, passagens e torres, de modo que é impossível abrir caminho” Mais tarde, o viajante Elie Lare acrescentou que “com milhões de galhos entrelaçados, a floresta abraça as ruínas numa manifestação de amor violento”.

Desde então, muitos descreveram como as imensas árvores cobrem as paredes e estátuas com suas poderosas raízes retorcidas, separando lentamente as gigantescas pedras e demolindo paredes, numa batalha colossal que dura séculos. O processo de restauro e proteção das maravilhas culturais de Angkor, contudo, diminuiu o domínio da floresta sobre as ruínas. Atualmente, os templos se encontram cercados, mas não tornados pelas árvores.

Ta Prohm é um grande conjunto de templos que foi intencionalmente abandonado, permanecendo praticamente no mesmo estado desde que Mouhot adentrou a região. Construído no século XII, já foi um grande mosteiro que cobria 70ha e que, de acordo com as inscrições, abrigava 12.640 pessoas ligadas às atividades do templo. Duzentos anos depois, Ta Prohm foi abandonado.

Quando sementes de figueiras, ceibas (ou bombáceas) e outras espécies de árvores se desenvolveram entre as paredes da construção, a floresta tropical rapidamente tornou conta. “Exceto por uma trilha aberta aos turistas e alguns reforços estruturais instalados a fim de evitar a deterioração do tempo, Ta Prohm foi deixado em seu estado natural”.

Muitas árvores robustas e altas se equilibram sobre as desgastadas mas sólidas paredes, enquanto as raízes grossas e entrelaçadas dessas mesmas árvores abrem caminho por entre as fendas das ruínas.

A mistura dessa obra de arte da natureza com a deslumbrante arquitetura do templo é incomparável. Ao passear por esse cenário de imensos blocos rochosos esculpidos, que são ao mesmo tempo unidos e separados por belas e sinuosas árvores, é possível entender um pouco do encanto que impressionou os primeiros exploradores.


Receba mais informações gratuitamente